manifestação na inauguração do novo campus da UNIFESP baixada santista!

No dia 15 de fevereiro de 2012 foi realizado a inauguração do campus definitivo da UNIFESP campus Baixada Santista, seria uma celebração comemorativa se não estivesse atrasado há alguns anos, além disso a celebração foi realizada no espaço onde futuramente será o restaurante universitário, visto que tanto o RU como a MAIOR parte do prédio ainda não está pronta, e no planejamento não se foi pensado em incluir um anfiteatro, que está previsto para o próximo prédio que nem iniciou a construção. Apesar de tantos absurdos, esta cerimônia foi marcada na referida data com a presença da Diretora Acadêmica do campus, Regina Célia Spadari, o reitor da universidade Walter Manna Albertoni, o prefeito da cidade de Santos, João Paulo Tavares Papa e o ministro da Educação, Aloísio Mercadante. Mas também estavam presentes os estudantes, que vivem a realidade sofrida neste campus e que não esqueceram tudo o que sofreram e que sofrem, assim, mesmo que não deixassem que eles tivessem voz na cerimônia, eles buscaram, gritaram e sem ter opções o ministro tentou fazer uma votação entre todos os estudantes presentes para saber se poderiam ter voz, para sua surpresa, a resposta foi sim.

Os estudantes entendiam que precisavam deixar seu registro naquele espaço e conseguiram! Muitos ficaram inconformados, outros felizes, mas diferente dos que estavam naquela mesa, com seus discursos demagógicos, os estudantes mostraram para todos os presentes e para a mídia que registrou, que tudo aquilo era uma farsa, e que não é assim que queremos nossa formação, mas sim uma educação pública, gratuita, de qualidade e socialmente referenciada.

Leia o manifesto dos estudantxs:

“Depois de sete anos de existência da UNIFESP Baixada Santista é chegado o momento histórico da entrega do campus definitivo com toda a infraestrutura necessária para ensino pesquisa e extensão de qualidade: salas de aulas equipadas, laboratórios para estudos e pesquisas, biblioteca com vastíssimo acervo, restaurante universitário, amplo anfiteatro para eventos, quadras e piscinas para os cursos de educação física, fisioterapia e terapia ocupacional…
Não. Não teremos nada disso, hoje. Parece que nos enganamos na comemoração. Ou seria melhor dizer “nos enganaram”. Ou melhor ainda “nos enganam a todo momento”. O que temos é um prédio, com salas de aula, salas para a administração e jardins.
Não é de hoje que convivemos na UNIFESP com a dificuldade dos poucos espaços para desenvolvimento das atividades acadêmicas, com a ausência de condições para permanência estudantil, devido a expansão universitária massiva e sem qualidade do programa do Reuni.
É de conquista da comunidade acadêmica a entrega das obras. Porém, é de exigência desta que os problemas da mesma sejam tratadas com seriedade.
Estamos, sim, felizes por finalmente estudarmos em um prédio sem goteiras, sem forro caindo, sem sujeira de pombo (embora sejam os estudantes de ciências do mar, que agora vão conviver com tudo isso). Mas pelo que estamos festejando hoje? Pela morosidade das obras? Pela lentidão?
Pois nós – estudantes, técnicos e docentes – temos o que festejar. Nós lutamos contra essa morosidade. A cada novo atraso na entrega deste prédio, lutamos contra a sua lentidão. A cada nova desculpa esfarrapada da direção, lutamos contra a sua incompetência.
Se antes não tínhamos salas suficientes nem infraestrutura adequada, hoje temos um campus maquiado e inacabado.
Aliás, nós já fizemos a inauguração deste prédio, e também sua aula inaugural em 10 de junho de 2011, quando houve mais um atraso na entrega do prédio. Em 20 de janeiro deste ano, por motivo de segurança, comparecemos de capacete à colação de grau das turmas que concluíram seus cursos em 2011, que ocorreu neste prédio ainda em obras.
E agora, seguindo uma tradição em anos eleitorais, este prédio está sendo inaugurado ainda em obras. Teremos de providenciar 1500 capacetes para o início das aulas, no dia 27?
O que serão das aulas em espaços ainda por terminar, empoeirados e com entrega somente para final do mês? O que será do transporte na Universidade com poucas linhas ao redor do campus? O que será da segurança das comunidades acadêmica e local?
Além das questões que virão agora, ainda há os velhos problemas. O Programa de permanência estudantil é burocratizado – afastando os estudantes – e insuficiente em seus valores – principalmente numa cidade marcada pela especulação imobiliária em decorrência da distante promessa do pré-sal; o curso de Ciências do Mar se inicia na unidade da Ponta da Praia, onde há goteiras, pombos morando nos forros e uma estrutura precária; o próprio modelo deste curso – composto por um ciclo básico seguido de nova concorrência para a especialização – é posto em dúvida não só aqui, mas em outros campi e universidades.
E por falar em outros campi e universidades, os campi Guarulhos e Diadema da Unifesp também sofrem com atrasos em obras e infraestrutura inadequada. No ano passado cerca de 50 universidades federais entraram em greve. Algumas, com participação das três categorias (aqui em Santos, até os terceirizados paralisaram suas atividades). Será coincidência? Ou vivemos todos a mesma realidade de precarização da educação?
É por acreditar na importância de uma educação pública, gratuita, socialmente referenciada e de qualidade que celebramos a entrega de um prédio de uma Universidade Federal que tem feito um trabalho importante na cidade, em um contexto tão marcado por privatizações, tanto da saúde como da educação. Mas é também por defendermos uma educação pública, gratuita, socialmente referenciada e de qualidade que não nos contentaremos com isso e seguiremos em luta.
Obrigado.”

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