Movimento Estudantil de Psicologia: “existirmos, a que será que se destina ?”

Entre os dias 30 de abril e 2 de maio, aconteceu o VII Congresso Regional da Psicologia, COREP, no qual foram apreciadas as teses nacionais e eleitas/os delegadas/os baianas/os e sergipanas/os que participarão do VII Congresso Nacional da Psicologia (CNP) entre os dias 3 e 6 de junho, em Brasília. Estiveram presentes nesse COREP estudantes de várias IES da Bahia e de Sergipe que se reuniram com o objetivo de eleger um representante estudantil da Bahia e de Sergipe para o CNP. Nessa reunião, alguns estudantes se dispuseram a ocupar esse cargo, porém essa escolha envolvia um impasse, pois o Conselho Federal de Psicologia designou a função de referendar os representantes estudantis à CONEP (Coordenação Nacional de Estudantes de Psicologia). No entanto, os estudantes que seriam escolhidos para representar a Bahia e Sergipe não participavam, construíam ou ao menos articulavam com a entidade, o que impossibilitou que fossem referendados.
Esse episódio reflete uma realidade vivida há muitos anos na Bahia: a falta de articulação estudantil. Em Salvador existem cerca de 30 IES de Psicologia, um número bastante expressivo de estudantes. No entanto, ainda não conseguimos nos articular de forma efetiva, ficando à parte do Movimento Estudantil de Psicologia Nacional, articulado via CONEP.
Nós do DAPsi-UFBA compomos o atual coletivo gestor da CONEP e gostaríamos de convidar todas/os estudantes da Bahia para que, de forma cada vez mais coletiva e participativa, possamos construir um Movimento Estudantil de Psicologia atuante e combativo.
Talvez, para muitos, tudo isso pareça novo, estranho e distante, e, por conta disso, podem estar se perguntando: mas o que é mesmo a CONEP? Como é que se participa? Para que é que serve?

Tentando fazer um relato breve, trazemos algumas informações importantes sobre a nossa entidade. A CONEP é uma entidade que busca aproximar, articular e representar os estudantes que cotidianamente constroem o movimento estudantil de Psicologia, ela estrutura-se como um Coletivo Gestor composto por estudantes de diversas regiões do país

Embora o Movimento Estudantil de Psicologia (MEPsi) tenha dado seus primeiros passos já na década de 1960, a CONEP só veio surgir no ano de 2003, após um extenso processo de reorganização, do qual participaram acadêmicos de várias universidades e regiões do país. Naquele momento, vislumbrava-se a necessidade de construir uma entidade que aglutinasse as lutas estudantis, que debatesse os currículos dos cursos de Psicologia e as práticas profissionais, além de formar alianças com outras entidades e realizar os encontros nacionais.
Ao longo desses anos, várias pessoas, forças políticas e entidades de base contribuíram e têm ajudado a CONEP a se estabelecer como uma organização sólida, combativa e representativa dos estudantes de Psicologia do país. Os últimos Encontros Nacionais de Estudantes de Psicologia (ENEP) e reuniões do Conselho Nacional dos Estudantes de Psicologia (CONEPsi) têm sido marcados pelo ímpeto de revigorar a CONEP e fazer com que ela seja apropriada pelos estudantes de psicologia em luta. Assim, novos sujeitos têm se implicado, e as pautas de luta e a estrutura da entidade têm sido ressignificadas.
Nesse sentido, hoje temos uma coordenação composta tanto por pessoas como por entidades de base (centros acadêmicos e diretórios acadêmicos), além dos coletivos de estudantes organizados, que podem compor comissões ou ocupar as funções de articuladores regionais. Sobre a organização da entidade, vale destacar o papel do Encontro Nacional de Estudantes de Psicologia (ENEP). Os encontros, que são realizados anualmente, são espaços onde estudantes de todo o Brasil debatem temas ligados à formação, à profissão e à sociedade como um todo, criando um grande intercâmbio de informações e aprofundamento dos debates. Além disso, é na plenária final do ENEP que são decididas as diretrizes da CONEP para o próximo ano, assim como seu coletivo gestor. Esse ano, o ENEP acontecerá em Belém, Pará, de 25 a 30 de julho, e terá como tema “Da Cabanagem aos nossos dias: os Movimentos Sociais atravessando a Psicologia”.
Algumas das principais demandas da CONEP atualmente são: fazer com que ela seja conhecida e reivindicada por um maior número de estudantes, participar das lutas estudantis do dia-a-dia de forma crítica, e se posicionar em relação aos assuntos e temas de interesse dos estudantes, dos profissionais e da sociedade como um todo. Assim, a CONEP se posiciona contra o Ato Médico, por acreditar que este é um retrocesso para as políticas públicas em saúde, além de cercear o trabalho multiprofissional. Está presente também na Luta Antimanicomial, defendendo a Reforma Psiquiátrica, os modelos de tratamento substitutivo, a autonomia dos usuários dos serviços de saúde mental, a fortificação do SUS e seu controle social legitimamente popular. Combatemos as políticas neoliberais na Educação brasileira, na contramão do REUNI, em defesa da Universidade pública, gratuita, laica e de qualidade. É contrária à Educação à Distância, ao ENADE e sua lógica de ranqueamento e punição, e à mercantilização da educação.
Nós acreditamos que a formação acadêmica não se dá somente no contexto de sala de aula, mas também na militância, nos projetos de extensão popular, na participação e convivência junto aos movimentos sociais, nos centros culturais, entre outros locais. Portanto, ainda é extremamente pertinente o debate sobre currículos, no sentido de pensar em uma formação que seja voltada a atender os anseios da sociedade e emancipar os sujeitos. É com essa perspectiva que a CONEP se posiciona em alguns fóruns que compõe, como, por exemplo, o FENPB (Fórum de Entidades Nacionais da Psicologia Brasileira), buscando levar as reivindicações dos estudantes de Psicologia para esse espaço. Esse fórum é composto por 21 entidades que estão no âmbito sindical, profissional e estudantil, sendo que a CONEP representa o último.
Em relação à política estudantil, o momento exige principalmente o fortalecimento das entidades de base já existentes e a fundação destas nas universidades ainda desguarnecidas. Faz-se necessária também a aproximação em relação às Entidades e Coletivos Regionais de Estudantes de Psicologia (COREP’s e COEREP’s, que são autônomas e têm seu funcionamento independente da CONEP), a construção e o fortalecimento dos encontros regionais (EREP’s) e a politização do Encontro Nacional. Nesse sentido, convidamos você, estudante de Psicologia, a participar dos espaços políticos estudantis da Bahia, e também da CONEP, tomando parte das nossas discussões, pela lista de e-mail e construindo os nossos encontros.

Esse ano o EREP N/NE (Encontro Regional de Estudantes de Psicologia do Norte e do Nordeste) acontecerá em Salvador, de 9 a 12 de outubro, com o tema “Psicologia, sociedade e auto-gestão: é possível construir Identidades a partir da coletividade?”, contando com a participação de estudantes de diversas IES do Norte e do Nordeste. Essa é uma ótima oportunidade de estarmos juntos, construindo nossas ações, bandeiras de luta, e quem sabe um MEPsi baiano, além de ser um momento super importante para trocas, aprendizado e construção coletiva de estudantes nortistas e nordestinos.
Quer saber mais? Aproxime-se e pergunte!

Contato DAPsi UFBA: dapsi_ufba@yahoo.com.br
Lista de discussão do EREP:erepnone@yahoogrupos.com.br
Lista de discussão da CONEP: conep@yahoogrupos.com.br

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